Filosofia da Caixa Preta - Capítulos 1,2,3
Notas sobre os capítulos
Geral
São muito interessantes as discussões que Flusser por trás sobre a fotografia, o fotógrafo e todo seu espaço social. Cabe citar que, na relação fotógrafo e aparelho, quando ele trás a discussão da câmera e das imagens se sobressaindo do homem. Podemos relacionar isso com o contexto de quarta revolução industrial, onde somos acostumados há um grande fluxo de imagens diárias de maneira acelerada sem conseguirmos tomar nota ou refletir sobre elas. Também, quando tiramos uma foto com toda configuração já pré-programada pelo aparelho sem estabelecermos um comportamento, umaobservação e uma sensibilidade estética própria.
As imagens
Parte do homem, com base na capacidade humana, o poder de abstrair imagens e imaginá-las. Isso ocorre por meio do que o autor chama de um "scanning", o vaguear do olhar pela imagem, analisado o ambiente e os elementos que pertencem a ele, transformando as quatro dimensões da imagem em duas.
Nesse sentido, o tempo passa a se comportar de forma circular, ou seja, os elementos vão atribuindo significados que quebram a linearidade que o tempo tem, o chamado tempo de magia: "Esse é o tempo da magia, onde os eventos são explicados mutuamente em uma teia de significados reversíveis. As imagens tem seu caráter mágico proveniente da capacidade de transformar eventos em cenas, de forma atemporal a representação. "
As imagens são a ligação entre o homem e o mundo, porém, o homem deve se precaver de não se perder vivendo em função das imagens ao invés de usá-las como ferramentas para compreender e interagir com o mundo real. Os textos que representam as imagens, não são como as fotografias, eles são recortes da imagem, enquanto a fotografia faz uma observação diferente do espaço, uma forma pessoal de analise do conceito como dimensão.
As imagens técnicas
“Trata-se de imagem produzida por aparelhos. Aparelhos são produtos da técnica que, por sua vez, é um texto científico aplicado. Imagens técnicas são, portanto, produtos indiretos de textos – o que lhes confere posição histórica e ontológica diferente das imagens tradicionais.”
“Ontologicamente, as imagens tradicionais imaginam o mundo; as imagens técnicas imaginam textos que concebem imagens que imaginam o mundo. Essa posição das imagens técnicas é decisiva para o seu deciframento.”
Por ter como enfoque o público crítico, a imagem técnica não busca simbologias, e sim a racional visão do mundo, sua tarefa é de reconstruir as imagens dos textos e seu viés significativo através dessa decifração. Assim, não vemos o mundo de maneira exata, partimos de determinados conceitos relativos ao mundo.
O aparelho
O autor discute onde o fotógrafo e suas ferramentas se encaixam, uma vez que fotógrafos não produzem de bens de consumo, ou tem visão, ligada a industrialização. A fotografia representa a era pós industrial, quando a profissão de fotógrafo é como uma chamada para ação e não um trabalho, sendo o fotógrafo capaz de controlar a simbologia assim como fazem os escritores, cineastas e arquitetos. Como resultado, as mensagens: livros, filmes, projetos, estes não servem para serem consumidos mas para viés informativo:
“serem lidos, contemplados, analisados e levados em conta nas decisões futuras. Estas pessoas não são trabalhadores, mas informadores. Pois atualmente a atividade de produzir, manipular e armazenar símbolos (atividade que não é trabalho no sentido tradicional) vai sendo exercida por aparelhos.”
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